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Crónicas de Lisboa
Oculta: |
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| Este terrível e estranho mundo é presenciado, não só pelos que nele se aventuram, mas também por pessoas normais cuja vida é tocada, ao de leve mas inesquecívelmente, por estes estranhos eventos. | Durante a reportagem, recolhi o testemunho da Sr.ª Maria Felismina do Céu, Sr.ª Lamego, Inspector Santos, Major Godinho, Tenente Ferreira, e Professores Serpa, Griffenstadt, e Menendez. Estes homens e mulheres deram o | seu contributo para esta reportagem, e impõe-se que os leitores conheçam de que têmpera são feitos. |
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Jovem repórter d O Diário de Notícias e autor d'estas crónicas. Ainda em início de carreira, procura por todos os meios conseguir histórias bombásticas, e, apesar da sua relativa inexperiência, conseguiu já algum respeito da parte dos colegas e do público em geral com uma série de reportagens continuadas acerca dos Heróis do Pátria, Sarmento Beires e Brito Pais, os dois aviadores que completaram pela primeira vez a ligação aérea Lisboa-Macau. | Investigou
também a expedição científica patrocinada pelo IEDP (Instituto para o Estudo dos
Descobrimentos Portugueses) à Guiné, liderada pela Dra. Madalena Vasconcelos. Durante
esse período travou conhecimento e amizade com o Inspector Francisco Maia do corpo de
polícia de Lisboa. Companheiro ocasional de tertúlias e jantares de Mário Guerra, fotógrafo d O Século. |
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Oriunda de uma pequena aldeia na Serra do Marão, Felismina veio ainda jovem para a capital, onde desde cedo encontrou trabalho como costureira. Agora na casa dos 50, Felismina trabalha há já alguns anos como criada em casa da Dra. Madalena Vasconcelos no Chiado. |
Alheia
a todas as aventuras que a sua patroa vive, permanece convencida que a "gente rica é
outra coisa", e que "a curiosidade matou o gato", pelo que será do seu
interesse cumprir as ordens que lhe vão dando sem fazer demasiadas perguntas. Católica devota, acende secretamente uma vela todos os |
dias
a S. Bartolomeu para que o Sr. Maia e a Dona Madalena assentem de vez, e se afastem das
influências negativas do Sr. Bettencourt e do Sr. Condes, de quem dissimuladamente
desconfia. Ainda catraia aprendeu com um marinheiro que foi seu amante técnicas de relaxamento orientais, que lhe são frequentemente requisitadas pela sua patroa. |
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Experiente
e astuto, o Inspector Santos é o velho sabugo da esquadra de polícia de Santos (a
coincidência entre o nome e o local de trabalho valem-lhe diariamente gracejos que
mancham frequentemente o seu bom humor). Gaba-se intimamente de já ter visto todos os crimes que há para ver, apesar de não se perdoar nunca ter resolvido o caso do desaparecimento do Sr. Meireles, um bon-vivant da Estrela que, após um misterioso envolvimento |
num
assassinato, desmaterializou-se sem deixar rasto. Essa série de acontecimentos deixou-lhe aliás a sensação que existe um submundo criminoso em Lisboa que desconhece totalmente. Procura não pensar muito nisso, já que o seu médico, o Dr. Ramalho, recomendou que procurasse não se excitar em demasia. Desde há largos anos que possuí uma sólida relação laboral com o Inspector Francisco Maia. |
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Militar na reserva, o Major Godinho entretem-se nos seus tempos livres a procurar almas gémeas que partilhem o seu interesse por "assuntos ocultos". Na realidade não passa de uma ovelha para a turba de lobos charlatães, estando sempre pronto a oferecer uma parte da sua herança familiar a quem lhe contar a história mais fantástica. | Desde o incidente que levou à morte do seu amigo Alberto Frades, e do desaparecimento da "Fraternidade do Sol Poente", um grupo de pseudo-ocultistas, tem-se mantido afastado dos seus círculos habituais, e passou uma temporada em repouso nas termas de S. Pedro do Sul. |
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Viúva
do Brigadeiro Lamego, herói de África, a Sra. Lamego viveu toda a sua vida de casada à
sombra do seu marido, permanentemente relegada para segundo plano perante as suas longas
noites de estudo na biblioteca, debruçado sobre velhos e poeirentos livros. Após a morte do esposo, convenceu-se que o marido tinha na sua biblioteca um verdadeiro tesouro de conhecimento, pelo que ela própria passou largos |
meses
a examinar os seus conteúdos, que até então lhe estavam vedados. Depressa se tornou mais uma ocultista de pacotilha, membro fundador da "Fraternidade do Sol Poente". Desde a morte do seu Grão-Mestre desapareceu dos meios sociais, e correm rumores que tenha passado uma temporada com um dos seus amigos numa estância de repouso. |
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Director e coordenador do IEDP (Instituto para o Estudo dos Descobrimentos Portugueses), uma dependência académica da Universidade de Lisboa. Professor de História no activo, organizou e patrocinou a expedição científica à Guiné, entregando o comando no campo à sua colega Dra. Madalena Vasconcelos. | Desde o fracasso da referida expedição, que não produziu qualquer tipo de resultados práticos, e com a morte de um dos seus investigadores subordinados, o Prof. Mário Henriques, caiu para um segundo plano hierárquico dentro da instituição da universidade, perdendo grande parte da influência que até então gozava. |
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Jovem
oficial do Exército português destacado para Bissau na Guiné. Travou conhecimento com a
Dra. Madalena Vasconcelos, o Sr. João Condes, o Inspector Francisco Maia e o Prof.
Bettencourt a bordo do paquete de ligação Lisboa-Bissau. Originário do Porto, o Tenente Ferreira foi transferido para o corpo de guarnição de Bissau após algumas desavenças políticas com os seus superiores, que nunca aprovaram as sessões |
de
debate político que organizava no quartel de Gaia. Prestou ainda alguma assistência em Bissau à expedição ao forte das Paredes Rubras, tendo demonstrado uma simpatia sincera para com o Prof. Ricardo Bettencourt. Encontra-se presentemente em Lourenço Marques, à espera da resposta relativa ao seu pedido de transferência de volta para Portugal. |
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Especialista alemão na área da botânica. Viveu quase dez anos em Lisboa, realizando várias viagens de pesquisa aos Açores e Madeira. Na ilha Graciosa inventariou duas novas espécies de fetos, até então desconhecidas do mundo científico. |
Com o objectivo de elaborar um estudo compreensivo acerca dos sistemas de vegetação tropical africana, decidiu partir rumo à Guiné, e foi no navio de transporte que conheceu o grupo expedicionário, acabando encantado com o conhecimento vasto em variados assuntos da Dra. Vasconcelos. | Chocado
com os assassinatos que ocorreram a bordo, e intrigado com os objectivos dos seus
recém-conhecidos, propôs juntar-se a eles na sua viagem para sul, mas os portugueses,
demasiado atarefados, recusaram, deixando o Prof. Griffenstadt em Bissau. Actualmente continua em Bissau, prosseguindo os seus estudos. |
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Amigo e colega do Prof. Bettencourt, ocupando actualmente o cargo de curador dos Arquivos Marítimos de Sevilha. Quando o investigador português e os seus companheiros necessitam de qualquer informação relativa à história espanhola, ou que lhe possa estar disponível, recorrem à sua ajuda. | Esta foi particularmente relevante quando necessitaram de informação sobre a Inquirição de 1613 à vila de Monforte, que o estudioso havia enviado a um Prof. Mário Henriques, que veio a falecer alguns dias depois. |
Jornal "O Correio de Lisboa" * Edição Especial: Crónicas de Lisboa Oculta * Testemunhas Oculares |